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Segundo Tesoureiro: Daniel Mazzaro é  licenciado em Letras Espanhol e Português e bacharel em Letras Português pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), mestre e doutor em Linguística do Texto e do Discurso pelo Programa de Pós-Graduação em Estudos Linguísticos (PosLin) da UFMG. Tem um pós-doutorado na área de Linguística Aplicada (PosLin-UFMG) e realiza neste ano de 2021 uma pesquisa de pós-doutorado no Programa de Pós-Graduação em Letras - Estudos Literários (PPLET) na UFU. Atualmente é Professor Adjunto da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), atuando na área de Ensino e Aprendizagem de Língua Espanhola e recentemente se credenciou ao Programa de Pós-Graduação em Estudos Linguísticos (PPGEL) da UFU. É líder do grupo de pesquisa Estudos Discursivos na perspectiva Queer (EDQueer) e participa como pesquisador dos grupos EDAEL (Estudos do Discurso Aplicados à Educação Linguística - UFMG) e NormaLi (Núcleo de Estudos da Norma Linguística - UFU). Tem experiência na área de Linguística atuando principalmente nos seguintes temas: Ensino-aprendizagem de Língua Espanhola, Ensino-aprendizagem de Gramática, Marcadores e Conectores Discursivos, Análise do Discurso, Educação Linguística e Estudos Queer.

Leandra Cristina de Oliveira, segunda secretária da Diretoria Hispanismos y reencuentros (2020-2022), é doutora em Linguística (PPGL/UFSC), com mestrado no mesmo Programa e Pós-doutorado no Centro de Estudios Lingüísticos y Literarios do El Colegio de México (COLMEX). É professora associada de língua espanhola e linguística no Departamento de Língua e Literatura Estrangeiras (DLLE/UFSC) e professora do quadro permanente no Programa de Pós-graduação em Linguística (PPGL/UFSC), orientando pesquisas de Iniciação Científica, TCC, Mestrado e Doutorado na Linha de Variação e Mudança (espanhol e português), no contexto da descrição, bem como no da aplicada (ao ensino e à tradução). Ainda no âmbito da pesquisa, coordena o núcleo Estudios en corpus del español escrito con marcas de oralidad (CEEMO). É docente há vinte anos, com experiência nos diferentes contextos de ensino-aprendizagem: Educação Básica, Educação de Jovens e Adultos, Educação Profissional e Tecnológica e Ensino Superior. Está como vice-presidenta da Associação de Professores de Espanhol do Estado de Santa Catarina (APEESC).

Primeiro Tesoureiro: Wagner Monteiro, primeiro-tesoureiro da Diretoria Hispanismos y reencuentros (2020 - 2022), é doutor em Letras (UFPR), com mestrado no mesmo programa e Pós-doutorado pela USP. Foi professor visitante na Universidad Complutense de Madrid e atualmente é professor adjunto de língua e literatura espanhola na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Atualmente desenvolve pesquisa na área de literatura do Século de Ouro espanhol, de estudos descritivos do espanhol e de tradução. Traduziu diversas obras do Século de Ouro espanhol, entre elas El arte nuevo de hacer comedias en este tiempo, de Lope de Vega.

Primeira Secretária: Viviane Garcia de Stefanié doutora em linguística pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), na área de ensino e aprendizagem de línguas, com ênfase em ensino/aprendizagem de língua estrangeira (inglês e espanhol).  É graduada em Letras/inglês e em Letras/espanhol pela mesma universidade. É docente há 20 anos, e há 15 atua no ensino superior. É professora efetiva de espanhol, português e inglês no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia (IFSP) - campus São Carlos, onde ministra aulas nos cursos integrados, graduação e na pós-graduação em Educação: Ciência, Tecnologia e Sociedade. No IFSP também coordena projetos de extensão e eventos voltados para a diversidade cultural, sobretudo no que se refere à cultura espanhola e hispano-americana.

Desenvolve e orienta pesquisas nas áreas de: formação de professores, novas tecnologias educacionais, diversidade cultural, teoria da atividade, internacionalização, letramentos críticos, entre outros temas das áreas da linguística e educação. É membro dos grupos de Pesquisa cadastrados no CNPq: 1) “Profissionalidade Docente e Ensino de Língua Espanhola (PRODELE – UFSCar), 2) Seminário de pesquisas em ensino e aprendizagem de línguas estrangeiras, e 3) Grupo de Pesquisa sobre Políticas Linguísticas e de Internacionalização da Educação Superior (GPLIES). Vivi, como é chamada, ao longo de sua trajetória escolar e acadêmica, sempre estudou em escola pública, e foi a primeira da sua família a concluir o nível de doutorado. Hoje desenvolve pesquisa de pós-doutorado sobre políticas linguísticas e internacionalização.

Vice-presidente: Antonio Ferreira da Silva Júnior é doutor em Letras Neolatinas pela UniversidadeFederal do Rio de Janeiro (UFRJ), instituição onde também defendeu seu Mestrado e cursou sua Graduação em Letras (Português-Espanhol). Desenvolveu estágio pós-doutoral em Linguística Aplicada na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) e em Educação na Universidade de São Paulo (USP).É docente de espanhol há 17 anos e lecionou em diferentes níveis de ensino em instituições públicas e privadas. Foi professor e pesquisador do Centro Federal de Educação Tecnológica Celso Suckow da Fonseca (Cefet-RJ) por mais de 10 anos, onde assumiu distintos cargos de gestão e participou de comissões de elaboração de projetos pedagógicos de cursos de Graduação e Especialização na área de ensino de línguas.

Desde 2018, desenvolve suas atividades como docente e pesquisador da UFRJ, atuando no Colégio de Aplicação e no Programa de Pós-Graduação em Letras Neolatinas da Faculdade de Letras (Estudos Linguísticos/Espanhol). Tem interesse e orienta pesquisas na área de Linguística Aplicada com ênfase nos seguintes temas: formação de professores de espanhol, ensino de espanhol na educação profissional, licenciaturas nos Institutos Federais, narrativas docentes e línguas para fins específicos.Foi o organizador de uma obra acadêmica de caráter nacional intitulada “Ensino de espanhol nos Institutos Federal: cenário nacional e experiências didáticas”, publicada pela Editora Pontes, no ano de 2017. Vice-líder do Grupo de Pesquisa “Laboratório Interdisciplinar Latino-Americano” (UFRJ-CNPq) e membro do Grupo de Pesquisa“Ensino e aprendizagem de espanhol” (UNILA-CNPq). Atualmente é Vice-Presidenteda Associação Brasileira de Hispanistas (ABH), gestão 2020-2022.

Presidente: Jorge Rodrigues de Souza Júnior, presidente da Diretoria Hispanismos y reencuentros da ABH, Doutor em Letras pelo Programa de Pós-graduação em Língua Espanhola e Literaturas Espanhola e Hispano-americana da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da Universidade de São Paulo (USP) e Mestre em Linguística Aplicada pelo Instituto de Estudos da Linguagem (IEL) da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). É professor do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo (IFSP), campus São Paulo, desde 2014, atuando como docente de língua espanhola para cursos do Ensino Médio e Superior e de disciplinas na área de Linguística para o curso de Licenciatura em Letras.  Nessa instituição é representante da Assessoria de Relações Internacionais no campus São Paulo e coordenador do Centro de Línguas desse campus. Desenvolve projetos de extensão e de iniciação científica, sobretudo na área de ensino de língua espanhola e de Português como Língua Adicional para hispano-falantes. Orienta pesquisas de Iniciação Científica na graduação e de Trabalhos de Conclusão de Curso em nível de pós-graduação na Especialização em Docência na Educação Superior do IFSP São Paulo. É membro dos grupos de pesquisa (CNPq) “Análise de produtos culturais brasileiros e hispânicos: estudos discursivos e culturais” (UNIFESP-CNPq) e “Grupo de Estudos da Linguagem do Instituto Federal de São Paulo” (IFSP-CNPq). É membro da Comissão de Linguística Aplicada da Associação Brasileira de Linguística (ABRALIN) e membro de comissões científicas de periódicos e de congressos na área de Linguística Aplicada e de Linguística.

Como docente e como pesquisador atua no ensino de espanhol para brasileiros, desenvolvendo pesquisas nos seguintes temas: Ensino e Aprendizagem de Espanhol como Língua Estrangeira, Língua Espanhola, Análise do Discurso Materialista, Glotopolítica e Decolonialidade do saber. Foi presidente da Associação de Professores de Espanhol do Estado de São Paulo (APEESP) por duas gestões: (2016-2018) e (2018-2020), sendo atualmente membro do Conselho Consultivo da APEESP. Foi membro do Conselho Consultivo (2018-2020) e atualmente é presidente da Associação Brasileira de Hispanistas (ABH), gestão 2020-2022.


Neide Maia González

Por Neide Elias (UNIFESP)

Será que quando nasceu um anjo torto disse a ela: Vai, Neide, ser gauche na vida? Não sabemos, la crónica ha perdido las circunstancias y no quiero inventar lo que no sé, como diz aquele narrador argentino. Talvez esse “estar no mundo” pode ter sido motivado por criaturas mais convincentes, como aquele gato que anos mais tarde iria ronronar no ouvido dela travessuras acadêmicas. Gato ou anjo, não importa, o fato é que Neide é gauche.

Desde muito cedo, pelo que me contou minha xará e pelo que podemos observar da sua trajetória, ela vem entortando e rompendo com as expectativas desse mundo “direito” e à direita. Curiosa, persistente e inteligente, Neide é uma mulher da qual todas nós, mulheres hispanistas, devemos ter orgulho. Soube mostrar seu valor, sua capacidade de trabalho e intelectual em um ambiente acadêmico machista. Sorte a do hispanismo, poderíamos tê-la perdido no meio do caminho não fosse a sua resistência.

Se dice que Neide não dispensa uma boa prosa, uma boa comida, um bom vinho e nem a luta por uma boa causa, sempre disposta para o que a gente não sabia, mas que hoje aprendemos a chamar de aglomeração. Dizem também que sabe fazer o melhor macarrão de saco do Pari. Concordo com a boataria, fui muitas vezes testemunha e partícipe desses eventos.

Nesses anos todos de convivência não saberia dizer quantas faces guarda Neide González, mas as da escuta, do senso de justiça e da luta estão sempre presentes nas palavras e sobretudo em suas ações. Isso foi, é e será sempre inspirador para seus alunos e colegas.

Setembro de 2021.


Heloisa Costa Milton

Por Antônio R. Esteves (UNESP)

Falar sobre minha querida amiga e colega Heloisa Costa Milton não é tarefa fácil. Amigos há várias décadas, fomos colegas na UNESP-Assis quase vinte anos. Ali reformulamos e demos vida aos estudos hispânicos que passaram a integrar o mapa do hispanismo brasileiro.

Licenciada, mestre e doutora pela Universidade de São Paulo, a Heloisa fez especializações na Espanha nos anos 70. No Mestrado e no Doutorado, ambos sob a firme orientação do professor Mario González, consolidou-se a pesquisadora. Uma vez integrada à carreira universitária, em Assis, formou centenas de professores de espanhol e dezenas de novos pesquisadores, seus orientandos de iniciação científica, mestrado e doutorado que, espalhados pela ampla geografia nacional, levam adiante seu trabalho.

Em sua vasta produção acadêmica, podemos constatar sua refinada leitura do texto literário, dedicando-se às várias áreas do hispanismo, especialmente nas literaturas de língua espanhola.Destaco, no entanto, seus trabalhos de literatura comparada, chamando atenção para os contrapontos com a literatura brasileira e as relações entre literatura e história. Suas leituras de Mario de Andrade à luz da picaresca clássica são bastante sólidas. O mesmo ocorre com a leitura do mito literário de Cristóvão Colombo, no entrevero de literatura e história. Também se dedicou à tradução: a que fizemos do Lazarillo de Tormes, para a editora 34, segue vigente.

Ativa, atuou nas diversas Associações. Participou da Associação de Professores de Espanhol do Estado de São Paulo, desde sua fundação. Foi presidente, ocasião em que organizou o Encontro de Professores de Espanhol em Assis.

Nos anos 90, um grupo de professores da UNESP de Assis, da USP e da UFF, com presença marcante da Heloisa, que sempre teve uma personalidade agregadora, criamos uma rede de intercâmbios.Eram mais que meras trocas acadêmicas, responsáveis pela introdução nos estudos hispânicos, da literatura comparada e dos estudos culturais. Construímos uma sólida amizade que, mesmo depois de sua aposentadoria, segue vigente. Desse modo, ela estava naquele grupo que discutiu a ideia da criação de uma associação brasileira de hispanistas e fundou a ABH no célebre congresso da UFF em 2000.

Sua presença elegante e sua atuação inteligente foram importantes na consolidação da ideia de hispanismo no Brasil. Disso é testemunha sua obra, ainda vigente, à disposição dos leitores interessados.

 

Agosto de 2021.


Bella Jozef

Prof. Silvia Cárcamo (Fac. de Letras – UFRJ)

Muito antes de que a literatura hispano-americana conquistara a apreciação internacional graças ao sucesso de vendas e de crítica do chamado boom, a professora Bella Jozef já tinha assumido como missão da sua vida o estudo e a difusão da literatura da América Hispânica. Dos muitos livros que ela publicou na sua trajetória como hispanista, gostaria de me deter agora na importância da História da Literatura hispano-americana, cuja primeira edição data de 1971. O fato de existirem mais três edições posteriores (1982, 1989, 2005) com as necessárias atualizações, constitui a prova do acerto da pesquisadora, quem advertiu a necessidade de contar no Brasil com uma história da literatura hispano-americana, publicada em Português e concebida por uma pesquisadora brasileira para um público amplo e de propósito didático.

Tenho diante de mim a segunda edição, a do ano de 1982. Na ocasião do lançamento do livro no Rio de Janeiro, o meu exemplar ganhou a seguinte dedicatória em Espanhol “aquí están los ríos y florestas, las cumbres y cielos, toda el alma de América y la mía” (assinado em 16 de agosto de 1982). Leio nessa frase a subjetividade da pesquisadora, comprometida com o seu objeto de estudo que ela não separava das suas vivências americanas. Sem dúvida que essa América incluía também o Brasil, e por isso não está ausente na sua obra menções a autores brasileiros.Numa obra que intencionava dar conta do processo literário hispano-americano desde seus começos, no século XVI, até o presente da escrita da obra, figuram também nomes fundamentais da literatura brasileira como Lucio Cardoso, Ciro dos Anjos, Érico Veríssimo, José Lins do Rego, Jorge Amado, Nélida Piñón, dentre outros muitos.

Bella descobriu cedo a sua vocação para os estudos das línguas neolatinas e suas literaturas.Por muitos anos deu aula de Francês e literatura francesa, e nesse universo de línguas e culturas estrangeiras, foi se gestando a sua paixão pelos estudos da literatura hispano-americana, ao lado de Manuel Bandeira, de quem foi discípula e colaboradora. No poeta e professor de Literatura hispano-americana, Bela Jozef, encontrou um modelo e um mestre.

Bella era incansável. Ela mesma atribuía a sua capacidade de trabalho e a sua energia infinita ao fato de ter sido a única filha muito amada de pais imigrantes russos. Parte dessa energia esteve destinada a orientar inúmeras dissertações de Mestrado e teses de Doutorado como professora pesquisadora do Programa de Pós-Graduação em Letras Neolatinas da UFRJ, de modo que seus muitos orientados devemos a ela a possibilidade de encontrar nas suas aulas da UFRJ um espaço de estudo da literatura escrita na América em língua espanhola. Todos lembramos dos seus cursos de assuntos atuais, afinados com a crítica internacional, com propostas bibliográficas atualizadas e, especialmente, guardamos para sempre o clima agradável e de confiança que ela criava nas aulas.

Agosto de 2021.


Ana Mariza Benedetti

Por Isadora Gregolin (UFSCar)

A querida professora Ana Mariza Benedetti, sócia-fundadora da Associação Brasileira de Hispanistas (ABH), atuou como docente de língua espanhola na UNESP, campus de São José do Rio Preto, de 1995 a 2016, ano em que se aposentou e decidiu se dedicar a projetos pessoais no sul do país.

Ao longo de sua trajetória,desenvolveu pesquisas em Linguística Aplicada com foco na análise e tratamento de erros, ensino para fins específicos, interculturalidade e, na última década, foi uma das coordenadoras responsáveis pelo projeto institucional “Teletandem Brasil”.

Em sua comprometida atuação nos âmbitos de ensino, pesquisa e extensão, sempre buscou reafirmar a importância da formação de professores de espanhol para a atuação em escolas da Educação Básica no Brasil.

Sempre generosa e disposta ao diálogo e à escuta atenta, Ana Mariza foi responsável pela formação de muitos mestres e doutores hispanistas, cujas pesquisas focalizam processos de ensino e aprendizagem de espanhol a partir de perspectivas teóricas diversas.

Com muita seriedade e comprometimento, ela também desempenhou diversos cargos administrativos, organizou importantes eventos no país e publicou textos de referência em sua área de atuação.

Embora tenha partido no início de 2021,as sábias palavras e conselhos da Ana Mariza ecoam na atuação daqueles que puderam com ela conviver e aprender que a vida acadêmica pode ser vivida de forma leve, alegre e intensa.

Agosto de 2021.

Maria Augusta da Costa Vieira

Por Wagner Monteiro (UERJ)

Falar da trajetória da professora Maria Augusta da Costa Vieira faz com que celebremos a notável hispanista brasileira e, ao mesmo tempo, prestemos uma homenagem aos estudos do Século de Ouro e, mais especificamente, cervantistas no Brasil. Se suas diversas publicações por si só já justificariam a afirmação de que sua carreira é notável, a escolha como acadêmica correspondente da Real Academia Española, em 2016, corrobora este asserto.

A professora Maria Augusta começou sua bela trajetória acadêmica na Universidade de São Paulo, em 1977, onde desde 2014 é professora titular de literatura espanhola. Tanto seu mestrado como seu doutorado tiveram o Dom Quixote como objeto de análise. O título de sua dissertação, O dito pelo não dito: Dom Quixote no Palácio dos duques seria retomado em uma de suas mais importantes publicações, O dito pelo não-dito. Paradoxos de Dom Quixote. Tanto seu mestrado como o doutorado foram orientados pelo saudoso professor Mario Miguel González, com quem idealizou, como sócia-fundadora ao lado de grandes hispanistas brasileiros, a Associação Brasileira de Hispanistas.

De 2002 a 2007 foi membro da direção da Asociación Internacional de Hispanistas e de 2009 a 2015 da Asociación de Cervantistas. Foi em 2015 que organizou o IX CINDAC (Congreso Internacional de la Asociación de Cervantistas) com sede na Universidade de São Paulo. Para os hispanistas brasileiros, foi um momento histórico, já que pela primeira vez na história o maior congresso de cervantistas do mundo se realizava em um país americano.

Como professora na FFLCH, Maria Augusta foi responsável pela formação de uma centena de estudantes, orientando trabalhos em níveis de graduação, mestrado, doutorado, e supervisionando pós-doutorados. Uma de suas marcas mais sobressalentes é o incentivo sempre constante a seus orientandos que se arriscam a analisar a literatura do Século XVII.

Desde que entrei na graduação, tive contato com a obra da professora Maria Augusta. Referência intelectual na nossa área, seus livros têm presença obrigatória nos cursos de Letras Espanhol. Mas foi no final do doutorado e ao longo do pós-doutorado quando tive o prazer de conhecê-la pessoalmente, de ouvi-la falar sobre a história de ruas famosas de São Paulo, de pizzarias e padarias, de causos nos mais diferentes congressos espalhados pelo mundo e, é claro, de Cervantes. Lembro-me de receber uma mensagem da professora Maria Augusta por ocasião do congresso de cervantistas, na qual dizia que se havia lembrado de mim ao visitar o Museo Lope de Vega, em Madri.O fato é que este espaço curiosamente fica na Callede Cervantes, um dos grandes desafetos do Fénix no século XVII.

Todas as pessoas que convivem com a professora Maria Augusta notam seu grande bom humor. Nas reuniões de seu grupo de pesquisa, todos os orientandos e ex-orientandos são recebidos com enorme alegria e risadas calorosas. Deste modo, este espaço funciona não apenas como um ambiente para discutir a literatura do Século de Ouro espanhol, como também se configura como um lugar de troca de afetos. Ante dúvidas e dificuldades, a professora Maria Augusta sempre mantém uma palavra carinhosa de incentivo, numa constante demonstração de empatia com os pesquisadores em construção.

Todas as vezes que tive o prazer de conversar com a professora Maria Augusta, ela mencionou o prazer que sente ao dar aulas para a graduação de Letras Espanhol. É na sala de aula que ano após ano faz com que os alunos sintam a mesma alegria e entusiasmo que ela sempre manteve ao ler o Quixote. Lembro-me de uma palestra por ocasião de minha defesa de doutorado, na qual a professora Maria Augusta disse por diversas vezes com brilho nos olhos que a literatura de Cervantes era fantástica. Todos os alunos presentes no anfiteatro – muitos deles calouros – saíram de lá entusiasmados, ansiosos pela disciplina em que Cervantes apareceria.

O entusiasmo da professora Maria Augusta inspira. Resta-nos apenas agradecer por seu trabalho significativo e por sua presença fascinante dentro do contexto hispanista brasileiro.

Agosto de 2021

Silvia Inés Cárcamo de Arcuri

Por Isabela Roque Loureiro (CEFET/RJ)

“Caminante, no hay camino, se hace camino al andar”. Os versos do poeta espanhol Antonio Machado nos permitem refletir sobre a importância das caminhadas em nossas vidas. Caminhar éação, é movimento, e sua prática torna-se imprescindível àqueles que buscam conhecimento e entendimento de si e do outro. Durante minhas incontáveis andanças, tive o privilégio de conhecer, no ano de 2000, a hispanista Silvia Cárcamo, professora da Faculdade de Letras da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), desde 1986.

O encantamento foi imediato, e o sentimento de admiração,que inicialmente nasceu por conta da forma como a Silvia nos apresentava a Literatura Hispânica e os seus autores, promovendo o diálogo com textos de diferentes épocas, gêneros e áreas de conhecimento, cresceu e, com o tempo, ganhou novos contornos. Transformou-se em carinho e, hoje, em amor.

Silvia irradia luz, tem brilho próprio. Sua trajetória no Hispanismo é marcada por dedicação, comprometimento e seriedade. Graduou-se em Letras pela Universidad Nacional de Rosario (1974) e concluiu o mestrado (1985) e o doutorado (1993) em Letras Neolatinas na UFRJ.  Em 2009, realiza o estágio Pós-Doutoral na Universidad Autónoma de Barcelona, experiência que seguramente embeleza ainda mais a sua notável carreira. Foi coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Letras Neolatinas da Faculdade de Letras da UFRJ, vice-presidente da Associação de Professores de Espanhol do Estado do Rio de Janeiro e presidente da Associação Brasileira de Hispanistas. Integra o comitê científico do Anuario Brasileño de Estudios Hispánicos (MEC-Espanha) e faz parte do conselho de diversas revistas acadêmicas, atuando também como parecerista ad hoc de renomados periódicos científicos. Ademais, é detentora de uma expressiva produção bibliográfica que revela ser fruto de um trabalho construído com entusiasmo e muita determinação, o que a torna uma profissional, inquestionavelmente, admirável e inspiradora.

Sinto-me inteiramente agradecida por tê-la como eterna orientadora. Apesar de a distância geográfica inviabilizar a constância de nossos (re)encontros, Silvia está sempre presente. Eu a vejo nos meus pensamentos cotidianos, nas minhas leituras acadêmicas, nas minhas práticas docentes e principalmente na minha fala apaixonada pela Literatura Espanhola. E acredito que esse sentimento de gratidão seja sentido também pelos inúmeros discentes que a tiveram e a têm em seus caminhos. Muito obrigada por fazer parte da nossa caminhada e por nos ajudar a construir novas estradas!

 

Agosto de 2021

Lívia Reis

 

Por Ângela Lopes Norte (CEFET/RJ)

Ao ser convidada a descrever a importância de Lívia Reis em nossas relações acadêmicas e pessoais, senti-me não somente honrada, mas agraciada com a oportunidade de agradecer-lhe por ter me apresentado ao mundo literário de Alfonso Reyes, em um curso ministrado por ela em 2009, no Programa de Pós-graduação em Estudos de Literatura na UFF, a respeito da construção das identidades nacionais e continentais dos ensaístas latino-americanos. Uma das primeiras hispanistas brasileiras, Lívia inspirava e entusiasmava pelo conhecimento de autores como José Enrique Rodó, Fernando Ortiz, José Vasconcelos, Pedro Enrique Ureña, Gabriela Mistral, Octavio Paz, Ana Pizarro e outros; entre eles, Alfonso Reyes.

À época, ocupando o cargo de Assessora de Relações Internacionais do CEFET/RJ, com formação em área de língua inglesa, bem distante da literatura espanhola, envolvi-me com os ícones culturais latinos de tal forma que, com a orientação de Lívia, dediquei meus esforços à elaboração de minha tese de doutorado sobre Alfonso Reyes, o mexicano escritor-diplomata e intérprete do Brasil. A tese se transformou em um dos livros da trilogia sobre Alfonso Reyes e o Rio de Janeiro, um projeto de pesquisa de Lívia, financiado pela FAPERJ.

A aproximação acadêmica se perpetuou na relação pessoal. Uma viagem ao México, participações em eventos como o 53º Congresso Internacional de Americanistas em 2009, o Jalla Brasil, em 2010, e, em 2020, o convite do Consulado Geral do México no Rio de Janeiro para colaborar em um  vídeo documentário, gravado por mexicanos e brasileiros, pela comemoração dos 90 anos da chegada de Reyes ao Brasil ajudaram a consolidar uma amizade que se ampliou ainda mais pelos  constantes encontros a partir  da gestão de Lívia como Assessora de Relações Internacionais da Universidade Federal Fluminense.

Lívia é uma brasileira apaixonada, que vibra quando o assunto é a relação Brasil – América hispânica e faz vibrar os que se aproximam de seu trabalho e os que com ela convivem.

 

Julho de 2021.


Sara Rojo

Sara del Carmen Rojo de la Rosa tem cumprido uma trajetória artística, docente e intelectual exemplar. Ingressou na Faculdade de Letras como professora visitante em 1993 e de Espanhol em 1995, aposentando-se em dezembro de 2020. É Professora Titular da UFMG, onde continua atuando na Pós-graduação em Letras: Estudos Literários; realizou três pós doutorados: na Università degli Studi di Bologna (2001), na Universidad de Chile (2007) e na Cineteca nacional de Chile (2019).

Sara Rojo é reconhecida pela sua atuação artística como diretora dos grupos Mayombe, que fundou em 1995, e Mulheres Míticas, em 2014, tendo ainda participação efetiva na criação e trajetória de vários outros grupos teatrais mineiros. Entre as atividades desempenhadas na UFMG, Sara Rojo foi uma das fundadoras do NELAM – Núcleo de Estudos Latino-Americanos e do NELAP – Núcleo de Estudos em Letras e Artes Performáticas. Participou da Comissão de Criação do Curso de Artes Cênicas da UFMG, criado em 1999, hoje reconhecido como curso de Teatro; coordenou a Câmara de Pesquisa da FALE; tem participado de Associações de Pesquisa, incluindo a Associação Brasileira de Hispanista, tendo sido responsável pela equipe organizadora do V Congresso Brasileiro de Hispanista, sediado pela FALE-UFMG, em setembro de 2008.

Sara Rojo é responsável pela formação de mais de uma centena estudantes, orientando trabalhos em níveis de graduação (iniciação científica e monografia), mestrado, doutorado e pós-doutorado; publicou cerca de duzentos títulos entre livros, capítulos de livros e artigos publicados em periódicos especializados, destacando trabalhos relacionados aos temas de teoria e crítica literária e teatrale literatura/teatro latino-americanos.Entre suas contribuições teóricas estão seus estudos sobre “memória”, “dramaturgia do espaço” e “teatro latino-americano” destacando os livros Um percurso pelas imagens de Neruda no cinema e no teatro (Belo Horizonte: Javali, 2021), Mulheres míticas em performance. Dramaturgias O dezerto, Classe (Belo Horizonte: Javali, 2020), Dramaturgias e pulsões anárquicas (Belo Horizonte: Editora Javali, 2019), Teatro latino-americano em diálogo. Produção e visibilidade (Belo Horizonte: Javali, 2016.), Teatro y pulsión anárquica. Estudios teatrales en Brasil, Chile y Argentina (Santiago: Ed. Universidad de Santiago de Chile, 2010).

Escrever sobre Sara Rojo é prazer e um privilégio pela sua importância na minha vida pessoal como amiga e na minha trajetória como professor, pesquisador, (ex)ator e sujeito.

Marcos Antônio Alexandre (FALE-UFMG)


Graciela Ravetti

Sempre faltarão palavras para descrever a importância de Graciela Inés Ravetti de Gómez dentro do contexto do Hispanismo e do Ensino da Língua e das Literaturas Espanholas e Hispânicas. Sua trajetória acadêmica e intelectual é notável. Em trinta anos de dedicação à Area de Espanhol e à Faculdade de Letras da UFMG, entre inúmeras realizações profissionais, Graciela foi Professora Titular em Estudos Literários, Pesquisadora I-D do CNPq,Pesquisadora (PPM) da Fapemig, Pesquisadora visitante no Queen Mary, University of London (2009-2011). No campo administrativo, foi Coordenadora do Curso de Pós-Graduação em Letras: Estudos Literários (2012-2014) e dirigiu a Faculdade de Letras entre maio de 2014 e março de 2021.

Graciela Ravetti esteve à frente da realização de convênios com outras Instituições brasileiras e estrangeiras, coordenando projetos internacionais com pesquisadores da Universidad de Mar del Plata, Universidad de Chile, University of London e da Universidad de La Plata.Foi uma das fundadoras do NELAM – Núcleo de Estudos Latino-Americanos, além de integrar o núcleo de professores que fundaram o NELAP – Núcleo de Estudos em Letras e Artes Performáticas.Graciela Ravetti foi participante ativa da Associação Brasileira de Hispanista, sendo sua Presidenta no biênio 2006-2008.

Como professora na Faculdade de Letras, Graciela Ravetti foi responsável pela formação de uma centena estudantes-pesquisadores, orientando trabalhos em níveis de graduação (iniciação científica e monografia), mestrado, doutorado e pós-doutorado; publicou mais de cem títulos entre livros, capítulos de livros e artigos publicados em periódicos especializados, destacando trabalhos relacionados aos temas de teoria e crítica literária, sobre literatura Argentina e América Latina. Sua proposição teórica sobre escrita performáticaé referência para inúmeras pesquisas, destacando o seu livro Nem pedra na pedra, nem ar no ar. Ensaios de literatura latino-americana (Belo Horizonte: Editora UFMG, 2011).

Escrever sobre a Graciela – Grac. como eu carinhosamente a chamava –me faz pensar em suas múltiplas qualidades entre as quais se sobressaem seu bom humor, senso crítico acurado, intelectualidade e seu olhar generoso perante a tudo. Não posso me eximir de exaltar sua importância para Faculdade de Letras da UFMG e na trajetória acadêmica de inúmeras pessoas, na minha vida pessoal e profissional.

Marcos Antônio Alexandre (FALE-UFMG)


Marcia Paraquett

Perfil de Marcia Paraquett para a ABH

Por Joziane Assis

A década era 1970. Marcia foi a primeira pessoa da família a fazer um curso superior. Na universidade, conviveu com a repressão da ditadura e a presença de espiões do exército como colegas de sala. “Apesar de você, amanhã há de ser outro dia...”, e foi. Marcia concluiu o curso de Letras, se apaixonou pela literatura latino-americana, deixou seu antigo emprego e passou a se dedicar inteiramente ao espanhol. Inteiramente considerando-se somente a perspectiva acadêmica porque, ao mesmo tempo, ela se tornava mãe de 3 filhos e cuidava da sua vida. Ao se apresentar em eventos acadêmicos,inclusive, faz questão de dizer que é mãe de 3 e avó de 5. Marcia é assim: extremamente sensível, humana, atenta à família, aos amigos, aos alunos e ex alunos, aos orientandos e ex orientandos. No decorrer dos anos, fez Mestrado e Doutorado em Literatura, estudou Linguística Aplicada no pós-doutorado e a ela passou a se dedicar desde os anos 2000. Abrilhantou o curso de Letras da UFF por 30 anos, de 1977 a 2007 e, a seguir, se rendeu de vez aos encantos da Bahia e da UFBA, para onde se mudou em 2009. Tudo isso sem falar de sua alegria, encanto, otimismo, comprometimento. Hoje temos o prazer de celebrar sua vida, sua disposição, seu exemplo, seu legado para nós, seus (eternos) alunos, que (tivemos)temosa felicidade de cruzar seu caminho em algum momento dessa jornada de 51 anos de sua história com o espanhol. Marcia é amor, luz intensa, paixão, emoção, carisma, seriedade, dedicação, generosidade. Marcia Paraquett é um presente e uma marca na história do hispanismo no Brasil.


Magnólia Barbosa Brasil do Nascimento

 

Por Lívia Reis

 

Não é difícil homenagear Magnólia na dimensão que ela merece. Magnólia, nossa flor predileta! São muitas as dimensões que podemos saudá-la mas, acima de todas, queremos homenagear, a professora, a mestra que marcou  gerações de alunos que passaram por suas aulas e nunca esqueceram de suas lições, que vão muito além do português, do espanhol e da literatura espanhola, disciplinas que marcaram sua carreira nas escolas e na Universidade. Através do ensino de língua e da literatura Mag nos ensinou sobre afeto, sobre tolerância e  sensibilidade. Desde muito cedo, a jovem professora havia sido convencida, através das leituras de Paulo Freire, de que só a Educação transforma e liberta e, com Antonio Candido, aprendeu que a literatura é um direito de todo cidadão.

Sua  mão amiga ajudou a conduzir nossos passos e nos ensinando a ler o mundo e a desvendar os mistérios da vida. A poesia espanhola traduzia a paixão por seu objeto de estudo. Manuel Machado, García Lorca nos fascinavam. Nos embebedávamos de poesia e de indignação. A América Hispânica também fazia parte das viagens poéticas que passavam pelo Caribe de Nicolás Guillén às alturas de Machu Pichu, na voz de Pablo Neruda. Através da literatura Mag ajudou a formar cidadãos mais conscientes e mais sensíveis, como método, utilizava a palavra e a poesia.

Depois de anos no ensino médio, tornou-se professora da UFF, onde continuou disseminando delicadeza, cordialidade e poesia em suas aulas na graduação, especialização, mestrado e doutorado, ao longo de mais de 30 anos, tornando-se  referência na literatura espanhola no nosso país e  nome emblemático em nossa área de estudos. Em seus textos, podemos perceber a mescla de paixão e meticulosidade analítica. Trata-se de uma educadora que colocou sua  inteligência e capacidade criativa naquilo que acreditou: a educação de nossos estudantes e na formação de nossos futuros  professores.

Com a renovação, mais que bem vinda na nossa ABH, é sempre bom poder falar dos hispanistas que vieram antes de nós e que marcaram os estudos hispânicos no Brasil, que estão irremediavelmente ligados a ela, que foi fundadora da APEERJ e da ABH, além de ativa militante na luta pela presença e permanência do ensino da língua espanhola em nosso país.  Hoje aposentada, seu olhar continua brilhando de encantamento com a literatura e com a poesia.

Agosto de 2021.


Luizete Guimarães Barros

 

Por Leandra Cristina Oliveira

 

Escrever sobre Luizete Guimarães Barros dezessete anos após ela me receber na UFSC, precisamente na sala 116 do bloco B do Centro de Comunicação e Expressão, para conversarmos sobre meu objeto de pesquisa para o mestrado, é uma oportunidade que me traz enorme alegria. Parar todas as tarefas na exaustão do trabalho remoto para falar da Lu é quase um momento de terapia. Terapia porque não tem como recobrar memórias da sua presença sem escutar sua risada, sem lembrar da forma leve como ela se e me conduziu no peso que muitas vezes a academia representa. Luizete Barros é hoje professora de espanhol da Universidade Estadual de Maringá (UEM), fazendo parte do corpo docente do Curso de Secretariado Executivo. Mudou-se de estado assim que se aposentou na UFSC, onde atuou de 1984 a 2010. Na UFSC, formou centenas de estudantes da área de Letras Espanhol, acompanhou TCC, colocou bacharéis e bacharelas, licenciados e licenciadas no mundo profissional de nosso campo. Orientou pesquisas de mestrado e de doutorado.

Contribuiu expressivamente para o hispanismo no Brasil com as pesquisas que orientou sobre léxico, morfologia, sintaxe, morfossintaxe, e outras. Continua contribuindo com seu percurso pela Linguística e suas significativas incursões pelo mundo da Tradução. Fundou a APEESC, Associação de Professores de Espanhol do Estado de Santa Catarina, para a qual está sempre disposta a contribuir. É, atualmente, Relações Públicas desse coletivo. Foram 26 anos dedicados à UFSC e, nesse ínterim, tive a sorte de conhecê-la em 2004, de passar por sua orientação no mestrado e no doutorado. Tive a honra e a satisfação de passar da verticalidade acadêmica para a horizontalidade da amizade. Com a Lu, no campus, no restaurante, no bar, em casa, nas viagens, falamos de tempo (físico, cronológico, linguístico...), de aspecto; falamos de Andrés Bello, de Coseriu, de Meillet... Falamos sobre arte, teatro, literatura, ciência, amor e desamores. De vez em quando, falamos do trabalho. Uma jovem que inspirada no e herdeira do Francês, se formava em 1975 na USP em Letras Português – Francês  –   Espanhol (quando ingressava, em 1972, o curso se chamava Letras Neolatinas). Era a transição que repercutiria em sua trajetória acadêmica. Defendia seu mestrado no ano de 1987 na UNICAMP, com uma pesquisa sobre a nasalização vocálica na língua Katukina.

Em 1998, terminava um ciclo na UFRJ, onde defendia sua tese intitulada “Tradição e inovação na teoria verbal da gramática de Andrés Bello”. A esse intelectual, fui apresentada pela pesquisadora através do clássico texto “Análisis ideológico de los tiempos de la conjugación castellana” (1979 [1810]), com o qual ousamos um oportuno diálogo com Hans Reichenbach – “Elements of SymbolicLogic” (1960 [1947]) em 2007. Foram outras colaborações acadêmicas depois disso, mas não foram tantas, talvez porque andamos muito ocupadas em outras questões. De minha parte, aprendendo com sua pluralidade intelectual (que hoje vejo, por sorte, um pouco marcada em mim), absorvendo toda sua competência, seu repertório cultural, sua força,  disponibilidade e humanismo... subuenaonda. Aqui neste lugar de segunda secretária da ABH (2020-2022), encontro outras heranças, já que Luizete Guimarães Barros, minha orientadora-amiga, esteve nas bases fundantes da Associação Brasileira de Hispanistas, atuou/atua no conselho consultivo e esteve também no conselho fiscal. Nos agradecimentos da minha dissertação de mestrado, em 2007, eu agradecia por ela me ajudar superar desafios no desenvolvimento da pesquisa; hoje, agradeço por tudo que ela mesma já superou, pelo caminho que, talvez sem saber, ela tornou muito mais prazeroso de trilhar.

 

Agosto de 2021.

André Trouche

 

Por Marcia Paraquett

 

Muito já sabe dos vínculos de André Trouche com a Associação Brasileira de Hispanistas (ABH), mas talvez se saiba menos sobre quem foi aquela figura ímpar, com quem tive o privilégio de conviver durante muitos anos de minha vida. Mas preciso retomar alguns episódios, porque nossa ABH está rejuvenescida, o que me leva a imaginar que esses jovens não tenham tido o prazer de vê-lo nos nossos congressos.

André, assim como eu, era professor de Espanhol na Universidade Federal Fluminense (UFF) e fez seu Doutorado em Literaturas de Língua Espanhola, assim também como eu, havendo uma pequena diferença de um ano entre a defesa de nossas teses. Ou seja, profissional e academicamente, André e eu éramos iguais: defendíamos as culturas e as artes latino-americanas, mas sem deixar de reconhecer a altíssima qualidade das artes espanholas, em particular as literaturas, embora não cedêssemos às políticas linguísticas que nos chegavam da Espanha nos anos de 1990, quando nos fortalecíamos para fundar a ABH, o que ocorreu em 2000, durante um Congresso realizado na UFF e presidido por ele.

André era diferente de mim. Eu sempre fui rebelde e mal criada, enquanto ele expressava sua rebeldia com delicadeza. Não foram poucas as vezes em que houve sérios embates nas assembleias dos Congressos Brasileiros de Professores de Espanhol (CBPE), em especial os anteriores à fundação da ABH, em que ele me catucava por debaixo da mesa ou me mandava um bilhetinho, me dando um toque para baixar a voz e negociar com nossos contendores, quase sempre representantes do Instituto Cervantes (IC). Eu ficava enfurecida e, ao contrário, pedia que ele deixasse de ser cortês com aquela gente que descendia de Hernán [Des]Cortês. Ele ria, mas sempre ganhava.

A prova disso é que Mario Gonzalez, grande voz do hispanismo no Brasil, com quem eu tinha uma relação pessoal de muito afeto, entendeu que apenas André poderia liderar as discussões que antecederam a fundação da ABH. Nem Mario, nem eu e nem tantas outras pessoas hispanistas daquele momento tínhamos a astúcia política de André para fazer de conta que negociava com o IC, mas, na verdade, inaugurava discursos e posturas que acabaram por constituir a base de nossa ABH, cujos congressos sempre foram bastante independentes de intromissões do Norte, que até hoje afetam nossos CBPE, embora de maneira mais branda.

André era extremamente político nas suas relações, mas entendeu a política de uma maneira bastante utópica, como foi comum para nossa geração. Suas negociações como chefe de departamento, professor, orientador, pesquisador, membro de colegiados, de comitês científicos e de nossa Associação eram suaves, serenas e até mesmo romantizadas. Ele sempre acreditava que o argumento e a escuta venceriam democraticamente em qualquer negociação. Ele tinha paciência e sabedoria. Arrastava seu corpo pesado com leveza, da mesma forma que nos ganhava sem que nos déssemos conta de que caíamos nas suas artimanhas. Mas nunca nos arrependíamos, porque ver nosso argumento se enfraquecer diante do que dizia André, era ganhar em âmbito maior, porque sua luta sempre foi o coletivo, o social, e nunca o individual e o pessoal.

Quanta saudade a ABH tem de você, André.

Salvador, 28/07/2021

Marcia Paraquett

 


Mario González
Fundador da ABH

De una presencia y ausencia indelebles

Hablar de Mario González es hablar de la trayectoria de los estudios hispánicos en Brasil y de sus resonancias en el ámbito internacional del hispanismo.

En 1968, el profesor Mario ingresa a la Universidad de São Paulo, allí, obtendrá su doctorado en 1973 y lo que llamamos “libre-docencia” en 1993, a partir de 1996 será profesor titular. Durante todos esos años, dedicados a la investigación y a la docencia, el profesor ha cumplido un papel decisivo en el desarrollo del área de Lengua Española y Literaturas Española e Hispano-americana en la graduación y en el posgrado. Con su acción casi febril, formó un gran número de profesores que hoy día actúan en diversas universidades en todo Brasil, con ellos ha compartido su conocimiento, su paciencia y su biblioteca. Las inquietudes ajenas pronto se convertían en suyas. Lo que es mucho, frente al número de alumnos e interlocutores que han cruzado su camino.

Pero su papel no se limitaba al ámbito de la enseñanza, dentro y fuera de clase, ha luchado por una universidad pública, democrática y transparente, comprometido con sus convicciones, ha asumido distintos puestos de representación en la universidad, en distintas instancias, siempre con la intención de garantizar un movimiento autónomo y democrático en la defensa de la universidad pública. Enlazado a esa militancia política en la universidad, estaba su empeño en la propagación e impulso de los estudios hispánicos en Brasil. De la combinación de su empeño con el de otros hispanistas brasileños, se fundó la Asociación de Profesores del Estado de São Paulo (APEESP) en 1983 y la Asociación Brasileña de Hispanistas (ABH) en 2000.

La creación de la ABH supuso un espacio privilegiado para la lengua y las literaturas en la universidad con un destacado perfil de investigación e innovación. Sus congresos se consolidaron como ámbito de calidad, caracterizado por el rigor en los criterios de aceptación de propuestas y marcado por una curva ascendiente en su crecimiento a lo largo del tiempo. Mario González integró como presidente los dos primeros mandatos (2000-2002 y 2002-2004), y en los últimos años había asumido la dirección de la revista científica de la Asociación, Abehache, creada durante la gestión 2010-2012. Se debe a Mario, también la coordinación de ese emprendimiento en sus tres primeros números.

En sus investigaciones individuales, se dedicó a distintas temáticas: en los años setenta, se aplicó al estudio del teatro lorquiano, sobre el tema, presentó su tesis doctoral, que sería editada bajo el título El Conflicto Dramático en Bodas de Sangre. Fascinado por las relaciones entre estética e historia, inauguró líneas de investigación y proyectos dedicados a grandes autores y a obras fundamentales de la Edad Media y del Renacimiento español— Quevedo, Cervantes, La Celestinay el Lazarillo de Tormes—. Durante varios años examinó un género literario que surgió en España en el siglo XVII y que hasta hoy perdura en las literaturas de distintas lenguas: la Picaresca. Al centrarse en los estudios comparativos del género picaresco en las literaturas española y brasileña, aproximó el “malandro” de la literatura brasileña al pícaro español, y supo, de modo novedoso, encontrar alternativas pertinentes al contorno de esa aproximación. Con eso, puso Brasil en el mapa de dichas discusiones, hasta entonces emprendidas, sobre todo en territorio europeo.

Fue en ese momento en que mi contacto con el profesor Mario se profundizó, gracias a un incidente: en 1994, tras haber cursado la asignatura de Literatura Española Siglo XVII, me preparaba para empezar una investigación en “Iniciação científica” con la profesora Adélia Bezerra Meneses sobre la poesía de João Cabral de Melo Neto, ya habíamos hablado largamente sobre el recorrido analítico y quiso el destino, por decirlo así, que el estudio no siguiera adelante y ahí viene el incidente.

Un determinado día, estaba comiendo en el restaurante universitario y, como la gran mayoría de los alumnos, dejábamos nuestras mochilas en unas estanterías abiertas. Resulta que, entre una masticada y otra, me doy cuenta de que la mochila ya no estaba allí: la habían hurtado y se habían llevado todos los libros de la investigación. Sumado a ese infortunio, la profesora Adélia tuvo que volver a la Universidad de Campinas (Unicamp), donde también era profesora, a fin de jubilarse.

Así, con tal secuencia de sucesos, no pude seguir con esa investigación, pero otra surgió: el profesor Mario me invitó a formar parte del grupo de estudiantes que se dedicaban a la investigación de las relaciones de la Picaresca con la literatura brasileña.

Muchos han sido los resultados de esa convivencia fluida y afectuosa: formé parte de grupos de estudios sobre la retomada de la Picaresca en la literatura brasileña,  presenté con mis compañeros de grupo trabajos en simposios científicosdurante mis primeros años en la universidad (y aquí abro un paréntesis para enfatizar la importancia de tener un profesor en el sentido lato de la palabra, es decir, aquel que se apropia del sentido latino “insignāre”, aquel que deja su marca, que, efectivamente, te señala un camino).

Han sido años de trato cálido y atento hacia mis primeros pasos en el mundo académico y, junto a los alumnos tutelados del profesor Mario, pudimos acompañar su postulación al puesto de profesor titular en la Universidad de São Paulo, seguida de la publicación de su obra A saga do anti-herói, lectura imprescindible para los estudios de la Picaresca y de la cual, de cierta manera, sus alumnos pudieron participar.

En los últimos años, él había regresado a sus “orígenes”, puesto que se dedicaba a Lorca una vez más. Sobre la obra del autor andaluz, llevaría un curso de posgrado en el primer semestre de 2013. En su propuesta para el curso sobre Lorca estaban algunas de sus constantes en los estudios literarios: la urdimbre de distintas formas discursivas, como el teatro, la poesía, el ensayo y la conferencia. A través de ese hilar delgado, concentraba innúmeros procesos de transformación de la sociedad española a lo largo de diferentes períodos.

Como en varios momentos de su trayectoria académica, a sus 75 años, el profesor Mario González seguía proponiendo no sólo el análisis de una producción literaria en sí misma, sino profundos cuestionamientos de formas discursivas, de su relación con la tradición literaria, su contextualización teórica e histórica, cuyo análisis tenía sus raíces clavadas en los momentos decisivos de la producción literaria española.

No hay duda de que, a partir de la lectura de sus obras, de la escucha de su voz en ambientes formales o no, uno está seguro de que ha sido una pérdida indeleble, manifiesta por la presencia del espesor teórico del debate, por el rigor en su formulación, además de una peculiar capacidad de posicionarse claramente frente a cuestiones difíciles y de proponer estudios fundamentales en tiempos de intolerancia y de individualismo pringoso.

Así que, de manera oblicua, creo que puedo agradecerle al azar y a João Cabral de Melo Neto, el privilegio de haber convivido con el profesor Mario.

Margareth Santos (USP)

Mayo de 2021.